Passo a Passo

dez 02

Passo a Passo

Victória é uma menina mulher, impregnada de desejos e vontades, que dança, canta, se arrasta para um canto, chora e volta a sorrir na manhã seguinte. Vive por ai e você pode sim já ter se encontrado com ela em algum lugar da paisagem urbana. Nota: Personagens são sempre autores pela metade. Victória aparecerá em outras páginas de estações. Quer saber mais sobre Victória? Leia outras histórias (clique aqui) Descobriu-se entre muros, um dia após o exílio. Descobriu-se em silêncio depois de tantas tempestades. Victória secou as lágrimas; rasgou a dor da noite passada deixando ser acariciada pela delicada brisa que sobrava em suas janelas. Amanheceu. O sol brilhava lá fora anunciava que a chuva havia passado. Victória era assim: tinha seus dias de noites tristes e, outras completamente felizes; ela era uma incógnita, como toda mulher que vive apaixonada. Por tantas vezes caminhava e caia; no entanto, ela sempre levantava sem aquela falsa noção de que seria fácil derrubar todas as barreiras que estavam a sua volta. A oscilação das paredes era real, porém a resistência daquela que carregava tempestades dentro si, também era uma realidade incontestável. Não havia mais chuva em seus olhos. Aqueles muros caíram delicadamente. Quão delicadas eram aquelas barreiras! Victória as deixava assim. Não havia mais escuridão em sua alma. Trouxe para si a ilusão e o prazer do conforto. Esqueceu as dores e tudo o que a fazia chorar. Amanheceu. A erosão de sua alegria implícita desfez os muros da alma. Victória despertou em sentimentos e apaixonou-se novamente. Encantou-se com o sol no horizonte e com as sombras que ele desenhava em sua cortina. Paixão? Era tudo que a encantava. E, nesse instante, num momento de terna paixão, ela ficou sentada com os braços envolvendo os joelhos; como se quisesse proteger algum tesouro ignorado, ou, uma paixão escondida… não se sabe. Com um pedaço do muro guardado em suas mãos, quase virando pó, ela caminhou devagarzinho para fora de si. Queria esquecer o inverno da noite passada. Ela gostava de ser verão. Victória era o próprio verão. Era assim que se sentia livre. Caminhando descalça, sem arranhar os pés… E passo a passo, escrevia sorrisos e mistérios naquelas ruínas de sentimentos. Assim, ela...

Read More

Tempestades de solidão

set 04

Tempestades de solidão

Ela deitou. Estava cansada dos ruídos que percorriam sua derme. Queria trancar-se dentro da sua caixa de Pandora e ficar esquecida para sempre. Havia diversas imagens dentro de si, e todas essas cenas a incomodava. Victória fechou seus olhos para não assistir ao desfile de ausências que teimavam em embalar o seu sono. Não era carnaval, ela nem gostava da tal data, porém, eram esses tais desfiles que estampavam a sua dor. Ela queria mesmo era esquecer as tais alegorias que a atormentava. Victória queria perder-se em seu canto, ficar às escuras, pois assim, o silêncio deitaria ao seu lado num aconchego de solidão. Ela gostava de ficar a sós. Victória fechou os olhos e esqueceu as imagens do mundo exterior que tanto a atormentava naquele momento. Não falou nada; não queria ecos nem sussurros. E, ali na escuridão, entre as sombras daquele quarto, de olhos fechados, ouviu o silêncio. Ele gritava sobre a igualdade das horas e das noites; e, aquela noite de tormenta era apenas mais uma entre tantas outras. Ao lado da cama de Victória havia uma janela. Aquela velha janela em que ela não cansava de olhar o mundo que corria solitário. Chovia lá fora e a chuva que caia naquela terra machucada refletia em suas vidraças marcando passos que ela queria ouvir. A chuva caía em suaves murmúrios fingindo anunciar a chegada de alguém. Ouvir aqueles leves passos, era o que ela mais desejava. Não havia passos, não poderia haver chegadas… As gotas eram as suas lágrimas mergulhadas em solidão. “Mais uma noite de tormenta igual às outras” – pensou. Sua respiração agora estava ofegante, ela tremia; lágrimas escorriam dos seus olhos, feito chuva no céu. O silêncio incauto ecoava os respingos que batiam em sua janela, como se o seu mundo afetivo pudesse ser menos estéril fora daquela vidraça. Outra sucessão de pensamentos tomava conta de Victória. Outro desfile, múltiplas recordações numa estante de sentimentos que estavam vazias. Havia vazios imensos dentro de si, como os pingos de chuva que se desfaziam na vidraça numa intensidade crescente. Naquele momento, o céu parecia anunciar tempestades, no entanto, dentro de sua alma, o prenúncio daquele temporal de emoções escorria por todas as suas tormentas. Desassossego....

Read More

Dentro e fora das perguntas

dez 07

Dentro e fora das perguntas

Victória e seu olhar distante. O mar e suas ondas que ensaiavam tempestades… O mar e Victória. Distintos. Diferentes e ao mesmo tempo tão iguais. O vento, que vinha de mãos dadas com a chuva, chegava de mansinho abraçando aqueles pensamentos e histórias mal contadas. Victória observava cada detalhe pincelado em sua janela, porém não conseguia apreciá-los. Seus pensamentos corriam longe da paisagem que por ali era desenhada. Ela não sentia esses movimentos. Vivia distante. Estava longe. Victória estava ausente de qualquer mudança que o tempo fizesse. Era assim: despida de todas as formalidades emprestadas pelo mundo. Corria de um lado para o outro buscando respostas para os seus devaneios… Pensamentos vazios e tão cheios de nada. Pensamentos e desejos que só caberiam um alguém e sua resposta. Dúvidas que brindavam sua confusa rotina. Uma louca tentativa de querer, e querer mais respostas. Sabia que as tais respostas não modificaria os seus vícios, nem moveria suas perguntas; mas desejava apenas o “sim” do seu querer. Victória questionava e ao mesmo tempo distanciava-se de todas as respostas, pois tinha medo dos “nãos” existentes em cada uma delas. Ausentava-se! Em seu olhar: distância e uma presença silente. Em seus lábios: sorrisos cinzentos no estilo cor de chuva fina. Em seu pensamento: alguns respingos de versos narrando os desejos explícitos de sua alma. Os outros movimentos eram apenas verbos rimados num dia de sol, desejando o calor de um corpo que perambulava em suas entranhas. Dúvidas, perguntas e respostas. Querer… Em suma, eram perguntas e sentimentos envoltos nas lembranças que saíam do olhar de Victória e escorriam pelos seus dedos formando palavras, desejos e talvez algumas dores e lágrimas. Questionava. Duvidava. Desejava. Perguntava. Respondia e queria sempre mais… Este artigo pertence ao blog “Entre Marés”. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código...

Read More

Melodias

ago 04

Melodias

Um quarto, algumas partituras espalhadas pelo chão, outras notas empoeiradas na escrivaninha e um violão encostado num canto qualquer… O espaço em si não lhe era estranho. Seus olhos faziam aquele percurso cada vez que adentrava a atmosfera daquele lugar. Cada passo, cada olhar era deixar tocar canções. Seus pensamentos voltavam em tempos onde a música era soberana em sua alma. Há muito tempo não dedilhava mais as cordas soltas daquele violão. Victória, que respirava música, havia abandonado as melodias que tinha um tom provocador e cheio de alívio para o espírito. Degustava suas lembranças ao sabor da música e das melodias que estavam empoeiradas cheias de notas isoladas, conjuntas, quiçá também partilhadas… Melodias de Solidão! À medida que caminhava por aquele quarto, as notas teimavam em se fazer presentes… Ela avançava ao som de uma melodia delicada e encantadora. Sua alma aos poucos invadia um espaço que não mais lhe pertencia. O volume da música levava Victória ali e os seus olhos estavam cheios das lágrimas cantaroladas. Era a música que ia aumentando substancialmente dentro de si. Olhando fixamente para tudo que por ali seguia, Victória fixou seu olhar naquele violão que gentilmente pedia que ela se aproximasse. Passo a passo, ela ia encurtando a distância que os separavam. Chegou perto. Observou que as cordas cantavam à medida que as ia dedilhando. Victória deixou o medo de lado e aos poucos fora brincando com as cordas que soltava uma melodia singular… A canção ia se soltando aos poucos e ela percebia que o velho violão não estava mais encostado. Victória havia voltado àquele cenário e tudo que ali se fazia presente era a música… Um quarto, um violão, algumas partituras, ela e a música! Este artigo pertence ao blog “Entre Marés”. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código...

Read More

Pequenas Lembranças

jul 19

Pequenas Lembranças

Em sua escrivaninha um chá de lembranças misturado aos papéis amarelados pelo tempo… Naquelas pautas transcorriam letras de fôrma sem forma, apenas frases inacabadas e outros versos que agora pareciam não fazer sentido. Os sentimentos de Victória estavam inertes, presos aos versos clichês e as palavras repetidas que saltavam daquelas folhas amareladas bem diante dos seus olhos. Frases que um dia alguém escrevera com o coração em mãos… Palavras que rasgavam os papéis e a derme daquela de sentimentos soltos. Ela se perdeu em pensamentos, derramou lágrimas no meio do caminho, se afogou em letras e desbravou seu próprio mundo em busca de algo para sentir. Nem as imagens fotografadas em sua mente são suficientes quando as suas lembranças misturam-se a paisagem pretérita. Victória e suas sensações… Sensações presentes no hoje e no ontem, mas sempre brincando de sonhar. Às vezes ela diz que o futuro é como brincar com as letras pintadas em grafite num guardanapo de papel… Victória sempre deixando lacunas e dúvidas sobre suas brincadeiras de presente e futuro… Acontece que as lacunas deixadas por ela, é um pouco da nostalgia que a abraça em dias quentes saboreando um chá gelado. São os sentimentos que voltam e brincam com as suas lembranças… São as palavras que não foram escritas por inteiro, e ela sabe que ainda há uma metade sua perdida em algum lugar… Pequenas lembranças em papéis de cartas mergulhados num mar de ilusões. Mudanças de tempo. Ela gosta dessas mudanças… Victória é assim, contente, tranquila e um pouco lá, ali e aqui. Lá no futuro, onde só os seus sonhos a alcança. Ali no passado, aonde não se chega mais e se agarra nas lembranças, nas palavras perdidas… E aqui, aqui no presente, onde suas memórias são nostálgicas e os sabores são quentes ou frios, como seus chás! Este artigo pertence ao blog “Entre Marés”. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código...

Read More

Estranho tempo (Parte II)

jun 24

Estranho tempo (Parte II)

Para ler a Parte I, clique aqui. Ela desviou o olhar, mas na realidade não sabia para onde estava olhando. Apenas absorvia a paisagem entre os passos apressados de todos que por ali caminhavam… Era o tempo e suas inconstâncias, e as horas estavam mal contadas por relógio e pés apressados que circulam pelas ruas. Victória estava sempre agarrada àquelas horas e dúvidas mal contadas. Olhava as pessoas na esperança de contar ou absorver o tempo. Ela desviava o olhar, apenas isso… Buscava algo muito além dos seus olhos e de suas emoções. Olhares atentos em busca de descobrir os destinos dos passos daqueles que por ali passavam. Ela, sempre desviando o olhar a procura do tempo, ou de entendê-lo. Victória não aprendeu, ela ainda questionava sobre o tempo e suas estranhas formas de dirigir-se a ele. Estranho esse tempo que bússolas não são contadas, muito menos as horas são marcadas… Ela encontrava-se ali no meio do tempo, no estranho tempo daqueles que correm e marcam apenas a metade das horas. Victória gostava das metades. Tudo isso porque o meio nem sempre significava a metade das coisas. Era metade sol, metade lua. Metade versos, metade rua. Ela era a metade dos seus desejos completos, a metade do tempo passado. Meio relógio atrasado. Ela, que era metade, queria as horas inteiras.. Estranha ironia. Não era possível já que os ponteiros não desfilavam para ela… Era tempo perdido, ausente, passado, gasto. Aproveitado ou não, não podia ser recuperado. Então, Victória preferiu ficar com as suas metades: desviou novamente o olhar, vasculhou os próprios passos e se equilibrou entre os ponteiros. Uma hora dessas tudo seria inteiro, até mesmo ela… Este artigo pertence ao blog “Entre Marés”. Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código...

Read More
Content Protected Using Blog Protector By: PcDrome.