#tuiteratura

fev 06

#tuiteratura

Fiz em minh’alma morada para os teus olhos. Fiz em minha derme um habitat para o teu corpo. São as tuas vontades que aquecem o meu ventre. Fiz morada de ti em mim! Suzana Martins *imagens gentilmente cedida pelo...

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Urgências

abr 29

Urgências

“E quando vem assim, nessa urgência Elas se jogam, pulam, brincam, Saltam nas linhas em grande festa. Com sorriso escrito, volto a ser palavra Será que é isso que chamam poesia? Ou será isso somente o delírio do poeta?” Fátima, do blog Alma à flor da pele Perdi a mão. Não sei mais arrumar as palavras no papel. As minhas conotações já não derivam de sentimentos explícitos e as minhas metáforas vivem num alvoroço sem fim. Talvez a minha inspiração tenha desembarcado numa dessas estações por onde passei e, eu nem a vi partir. Já não escrevo mais como antes, estou sem rumo. As minhas rasuras são tão velhas que a coerência abandonou-a num asilo de versos esquecidos. Preciso de tempo e espaço para reorganizar todas as palavras que estão embaralhadas em mim. Preciso de solidão. Necessito de um silêncio agudo e, por um momento, não ser interrompida por ninguém. A minha maior necessidade hoje é ter letras escritas na alma… Silêncio, por favor! Não me interrompa; respeite os meus mórbidos versos, que aos poucos restabelece seus batimentos. Tenho urgências de palavras e de histórias patéticas que, no final do dia, são apenas poemas sobre céu e mar. Mesmo repetidas e incoerentes, eu preciso de palavras para...

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Sapatonices

mar 17

Sapatonices

“Vamos abrir a consciência vamos rever considerações vamos deixar a tirania pra nunca mais vamos aceitar as pessoas como elas são”! [EDU LAZARO] Eu sou sapatão! Esse é o estereótipo que a sociedade usa para nós meninas homossexuais. E, aproveitando desse chavão, quero deixar bem claro que todo tipo de preconceito está mais que ultrapassado. Quando as pessoas irão entender o significado da palavra amor? Muitos falam, escrevem e cantam sobre esse sentimento sem ao menos entender sua real acepção. Pode parecer simples e fácil gritar ‘eu te amo’ para algum conhecido, entretanto, o amor é algo muito mais complexo e precisa ser compreendido para ser revelado. Amar é viver sem medo. Amar é aceitar sem rótulos. Amar é amar. Eu perdi muitos ‘amigos’ quando eu me aceitei. Pessoas que diziam me amar acabaram me colocando no banco dos réus e sentenciaram a minha culpa. Mas, que culpa? Onde está escrito que é crime amar? Sem direito a toda e qualquer resposta fecharam a porta do ‘eu te amo’ e passaram a explanar repúdio e revolta. A minha sentença estava decretada por ver além do amor. Fui levada para fora da cidade, me expulsaram do ‘mar de rosas’ que o mundo vive e fui obrigada a fazer morada numa cela onde o preconceito é um carcereiro cruel. Não! Essas reações não são amáveis! Toda ação de preconceito não há Deus, e muito menos, amor. Quando criança a minha mãe me ensinou que Deus ama os seus filhos sem julgá-los. E hoje, que sou adulta me pergunto: ‘por que tanta cólera, antipatia e rancor vêm daqueles que se dizem homens de Deus?’ Não quero colocá-los no banco dos réus como foi feito comigo. O que eu quero? Respeito e tolerância, pois aprendi que o amor não se julga. É certo que todo esse ódio não vem Deus e sim de seres humanos que não compreenderam o significado de um sentimento tão puro. Não é a igreja que é intolerante. A incomplacência vem de um pequeno grupo que não soube interpretar o versículo bíblico: ‘amai ao próximo como a ti mesmo’. Nós – gays, lésbicas, negros, mulatos, pobres, ricos, brancos, homens e mulheres – fomos feitos a imagem e semelhança de...

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Singularidade

fev 17

Singularidade

Olhei ao longe e vi vales cercando a terra. Tinha visto até, entre pingos de chuva, um sol dourado trazendo lembranças de outros mares. Porém, meus olhos não fotografaram belezas solares. Aquelas planícies douradas pareciam parar os meus olhos. O tempo ali, não corria; caminhava entre as aves e desfilava uma coleção de belezas intocáveis. Naquelas terras de vales e planícies cintilantes, a vida parece tão simples que até os acordes ecoam melodias conotativas. Observo o tempo passar e esqueço-me por ali… Perco-me numa felicidade que apenas as lágrimas percebem. Versos conotam palavras, não precisam de explicação. Apenas...

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Uma jovem de 459 anos!

jan 25

Uma jovem de 459 anos!

São Paulo. Terra da garoa. Tempestades de solidão. Pauliceia desvairada. Estou aqui brincando com as letras tentando escrever versos sobre essa cidade que é tão acolhedora e segura de si. A verdade é que nada vem entre os dedos, ou melhor, vem e depois volta para qualquer lugar onde não sei. Repito sempre as mesmas palavras e tudo o que um dia foi escrito por tantos outros autores, reflete apenas em letras sentimentos que derramam em mim. Rabisco uma letra depois outra, mas as palavras não formam nem um poema. Não consigo escrever um verbete sequer sobre essa cidade que é tão grande em histórias e poesias. Mário de Andrade sabia descrever São Paulo e toda sua paixão por essa selva de pedra. Eu não sei escrever nem uma vírgula desse mar de gente que navega por essas ruas. Queria poder escrever com o coração a flor da pele, porém o que tenho aqui são as mesmas palavras de sempre e uma paixão escorrendo nos olhos. Olho para essa folha, que agora tem poucas letras e vejo que não consegui transpor o que corre em minhas artérias. Ah Mário de Andrade, salva-me! Traz até mim pelo menos uma palavras que defina São Paulo e todas as minhas paixões que descobri sentir por essa cidade! Ah Mário!! “São Paulo! comoção da minha vida… Os meus amores são flores feitas de original… Arlequinal!… Traje de losangos… Cinza e Ouro… Luz e bruma… Forno e inverno morno… Elegâncias sutis sem escândalos, sem ciúmes… Perfumes de Paria… Arys! Bofetadas líricas no Trianon… Algodoal! São Paulo! comoção de minha vida… Galicismo a berrar nos desertos da América!” [Mário de Andrade] São Paulo, é esse mar de gente que navega por ondas cinzas em tardes tempestuosas. Essa maré tão cheia e tão aconchegante. Esses traços perfeitos, bem feitos e singelos que faz as estrelas caminharem pelo chão. Não sou paulistana, mas sou baiana que traz no corpo a cor e a maresia, mas na alma a garoa que respinga na alvorada. São Paulo de saudades e terras belas, berço de tantos amores e abraços acolhedores. Essa é a São Paulo que habita em mim e ainda tenho muito a descobrir!! Parabéns São Paulo!! Parabéns por...

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uma vírgula

jul 21

uma vírgula

Tenho dentro de mim milhares de saudades que se acumularam ao longo tempo. Vez ou outra, em tardes que parecem de outono, essas saudades evaporam da minha derme e exalam sentimentos que ultrapassam a minha capacidade de entendimento. São sensações desgastadas em letras de papel que desenham um universo que é só meu. Não é tristeza, é apenas um sentimento que não se explica – se é que sentimentos podem ser explicados – sentimentalidades que pulsam dentro das minhas artérias que tocam uma sonata qualquer. Parece até o ciclo marés dentro dessas estações lunares… Sou assim, esse abstrato de mim. Sou até sentimental demais para uma aspirante a escritora de versos frágeis. Escorrem em mim sensações que só eu, ou nem eu mesma, sou capaz de entender. Coisas de alguém que vive em uma estação, mas sempre com as letras escritas no mar… Acumulam em mim sensações e saudades de outrora que só o meu interior é capaz de caminhar. Sou um ser carregado de saudades e sensações...

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